sexta-feira, 5 de setembro de 2008

ROSA SELVAGEM, SEMPRE NA HORIZONTAL!

… e eis que aparece a indecorosa Rosa Selvagem na vida do indefectível Joselito, formando um par indecomponível. “

Barbara Pústula era de uma crueldade, mesquinhez e ferocidade só superadas pelas de sua própria mãe, a avó de Rosa Selvagem. Um dia zangada com o seu incipiente marido, Ricardo Pústula Cinzenta, por quaisquer obscura razão , agarrou num auto-coçador, todo em prata, e bateu-lhe com tanta força na cabeça que o pobre homem ficou desmaiado no chão. Em seguida arrastou o corpo desfalecido para o pé do sofá, colocou-lhe a cabeça em cima do mesmo e sentando-se em cima dele, com as gordas nádegas balofas, asfixiou-o.

Este macabro episódio passaria completamente despercebido, pois Ricardo Pústula Cinzenta era um desses homenzinhos insípidos e insignificantes, que passam pela vida sem darmos sequer conta que existe, a não ser quando se estatelava com toda a força no chão, tropeçando nos próprios pés, o que acontecia amiúdes vezes. Ou quando os colegas escolhiam a sua cabeça em forma de ovo, como alvo para sonoros calduços.

Mas a excitável e nervosa senhora, em vez do sossego de sua casa e sem ninguém por perto para o poder contar, escolheu justamente o dia de aniversário de sua filha para, perante os olhares extasiados dos convidados, da orquestra de tocadores de Ukelele, dos palhaços e das cabras amestradas, cometer tão distinto e contundente acto homicida na pessoa do seu mesquinho e vulgar marido.

Poderia ter acarretado alguns problemas mais sérios á mãe de Rosa Selvagem, este acto funesto, se os Pústula não fossem uma das mais poderosa e ricas famílias de Inglaterra, a senhora Pústula era mesmo prima de sua majestade A Rainha, cumpridores de todos os ritos inerentes á nobreza e clientes assíduos da igreja anglicana. Embora secretamente e em surdina comentassem que o Espírito Santo era um pouco simplório, aparvalhado mesmo; mais lorpa que ele só o Buda e o Maomé.

Mas o homicídio passou sem grande alarido nos jornais, fazendo-se notar por algumas e simples notas de mais episódios divertidos da família Pústula, troca de dichotes familiares no clã Pústula, etc. Tendo mesmo um jornalista, com ligações á casa real, escrito que a graciosa Bárbara, num “fervente acesso de amor lírico”, tinha feito demasiados carinhos ao seu fleumático Ricardo.

Terá este funesto acontecimento marcado de algum modo a ambiguidade moral de Rosa Selvagem? Nunca se saberá ao certo, mas que ela saiu de casa a correr, uivando e a dar patadas, juntamente com as outras crianças, os tocadores de Ukelele , os palhaços e as cabras amestradas, é um facto indesmentível. E que a partir desse dia não consta que tenha tido qualquer reatar de relações com a mãe, são certezas inabaláveis.

Desse dia em diante, e com dez anos apenas, começou a participar em festas que não bastas vezes acabavam em desenfreadas orgias.

Foi crescendo e desenvolvendo uma elegância e beleza arrebatadoras. Aumentando a sua panóplia de truques e posições sexuais. E coleccionando amantes uns atrás dos outros.

E um dia conheceu Joselito. Debaixo do vão de uma escada curiosamente ou por ironia do destino, os dois com uma vontade enorme de urinar, devido á quantidade fabulosa de bebidas alcoólicas que tinham acabado de ingerir.

A partir desse momento a vida de ambos nunca mais a foi a mesma