
Kagashica, ”O empedernido guerreiro comedor de cavalas”, envergou a sua pesada armadura, tomando assim o aspecto de um carro alegórico, ajustou o cinturão e passou o dedo pelo gume afiado de sua espada: malévola rebotalha da humanidade, ceifeira de milhentas de promessas de vida – que depois de se cruzarem com ela, não passam disso mesmo, promessas.
Saiu da tenda general, sem esquecer o elmo dourado, ornado com um penacho penitente e duas hastes, que por sinal lhe ficavam bastante bem, e sentiu o vento quente e árido do deserto de Gobi fustigar-lhe as faces, ornamentadas por uma barba negra e cerrada que começava a encaracolar no fim.
Afagou-a, alisando, e sorriu em antecipação da gloriosa vitoria na batalha que se aproximava. Mostrando os dentes podres e amarelos.
Pousou o elmo no chão e ajoelhou-se para fazer as necessárias orações aos deuses da guerra, jogando areia ao ar, ora para a esquerda, ora para a direita, como se estivesse numa praia da Caparica.
No outro lado do campo de batalha, empoleirado no ramo mais alto de uma árvore seca, envergando apenas uma simples tanga de vermelho vivo com um coração amarelo-torrado estampado na parte da frente, e empunhando uma garrafa de gim, Joselito observava com descuidada indiferença aquela paisagem desolante, notando o exército inimigo acampado ao longe, no cimo de umas dunas.
Sabendo-se atentamente observado pelos seus dedicados e expectantes guerreiros, que lhe admiravam o corpo esquálido e a imponência da sua ossatura, Joselito esticou os bícepes inexistentes e saltou do seu posto de observação, torcendo um pé na queda e partindo os dentes, mas, miraculosamente, conseguindo equilibrar a garrafa sem entornar uma única gota de gim. Levando os soldados em êxtase a soltar gritos de admiração e a ululantes aclamações que se ouviram no campo do exercito antagonista. Elevando a garrafa ao ar, em sinal de triunfo, dirigiu-se para a sua tenda, coxeando, seguido por todo um exército, que rendido a tão grande demonstração de destreza e formidável sacrifício, coxeava também, gritando: “Creio no álcool! Creio no álcool!”.
Joselito, apontando os seus quatro generais de campo, incitou-os a que o acompanhassem, para delinear estratégias, preparando o combate que se aproximava. Eram eles: Bebetudo, que nunca rejeitava carga e não fazia uso interno de águas medicinais, ou qualquer outras; Esgotapipas, que recusava água de toda a gente e era casado em união de facto com uma garrafa de aguardente; Secadegas, que nunca comia uvas e nem consentia que as comessem ou estragassem; e o mais pequeno, mas não menos heróico, Secalambiques, que socorria qualquer pessoa que se encontrasse cambaleando e dando encontrões nas paredes, mas passava a fio de espada, sem quaisquer remorsos, todo aquele que passando frente a uma pipa cheia, não tivesse a necessária atenção para lhe fazer continência.
Com o rosto cor de camarão, o nariz cor de cenoura e em forma de torneira, olhos inflamados e remelados, e uma barba cor de borras de vinho, era nestes quatro valentes, com tantas provas dadas em outras temíveis batalhas, que Joselito, mexicano de raiz, sexualmente hiperactivo, depositava toda a confiança.
Sentando-se os quatro á mesa redonda, em completa comunhão, e num êxtase quase religioso, começaram por rezar o “Creio no álcool a 42 graus, todo poderoso e criador de formidáveis carraspanas…”. Depois, pegando numa cartolina, desenrolando-a sobre a mesa, Joselito começou a desenhar a estratégia. Escrita cuneiforme para os seus acólitos.
Lá fora ecoavam ainda os gritos e as manifestaçõe de jubilo da parte do exercito de pequenos e possuidores de farfalhudos bigodes, mexicanos. Escondidos debaixo de grandes chapéus.
A figura 1 mostra a táctica de guerra de Joselito.
Figura1
Sai uma coluna, depois outra e depois outra. Chegando a meio do campo de batalha, a coluna da esquerda vira á esquerda e a coluna da direita vira á direita ( se não for assim é natural que choquem uns com os outros), correrão em círculos tão depressa quanto puderem e de dez em dez metros, agacham-se e batem as palmas. A terceira coluna, a do meio, mais ou menos a meio do campo de batalha, vira para trás e corre o mais depressa que as pernas o permitirem. Será esta coluna que Joselito, o chefe, comandará.
Kagashica, que entretanto conseguira desenvencilhar-se do enorme monte de areia que juntara sobre si, com a prestimosa ajuda de Seringa, o seu marechal de campo, dirigia-se para o altar dos sacrifícios, gritando ainda com a boca cheia de areia: “Vamos fazer o maior sacrifício que os Deuses já tiveram a honra de receber! Tragam imediatamente dez lamas do Peru, outros dez Lamas do Tibete *, quatro cordeiros, um quilo de limões e uma cebola! Não há tempo a perder, acendam a pira!”.
Milhares de soldados, de armaduras coloridas, imensos carros alegóricos, prostrados em fanática oração.
Se os Homens não se deixassem toldar pela iniquidade, pela crueldade, pela insensatez e neste caso, pelo ciúme, todo o derramamento de sangue que estava prestes a acontecer seria evitado. Se Kagashica não fosse tão empedernido, mais racional em vez da grandessíssima besta belicosa bestunta bexigosa que na realidade era, Joselito, o herói mexicano, estaria agora na praia.
Joselito conhecera a Princesa Li, filha do imperador Shingamula, esposa de Kagashica, “O empedernido guerreiro comedor de cavalas”, o ano passado quando ela passeava com o seu numeroso séquito, numa feira em Carcavelos. Li Nhon Nhin, portadora de uma figura singular, possuía uma daquelas belezas orientais que faziam imaginar todas as artes do Kamasutra: rosto oval, olhos grandes e amendoados, estrábica; corpo esguio, bem torneado por uma apertada túnica de seda azul, calçava o quarenta e cinco e tinha uma verruga no nariz. E nessa tarde em Carcavelos apetecia-lhe… algo. E não era Ferrero-Rocher. Era algo que Joselito percebera quando os seus olhares se cruzaram.
Kagashica “O empedernido guerreiro comedor de cavalas”, que no campo de batalha inspirava terror e granjeava glória, cortando centenas de cabeças inimigas, soldado implacável, no aconchego do quarto, na quietude da sua casa e na plácida calma dos seus jardins, preferia a poesia, os seus desenhos de cerejeiras em flor e o teatro Kabuki, que representava vestindo um quimono cor de rosa, andando em passinhos curtos, e fazendo uma voz tão fininha, tão fininha, que os vizinhos num
raio de três quilómetros, ao ouvi-lo fugiam de suas casas em grande alvoroço, pensando tratar-se da sirene dos bombeiros.
Tudo isto adivinhara o mexicano, com o seu particular sexto sentido sexual superdesenvolvido.
Joselito e a filha do Imperador tinham-se tornado imediatamente amantes, fazendo amor durante três dias e três noites, descansando ao terceiro dia conforme as escrituras.
Tinham sido estes os factos que despoletaram a ira e sobrecarregaram a cabeça de Kagashica, empedernido guerreiro, levando-o a convocar todo o seu exercito, deslocando-o ao encontro de Joselito para assim vingar a sua honra. E recuperar o quimono cor de rosa que Li Nhon Nhin lhe roubara.
(continua)
*ver Joselito o supremo prostituto
Saiu da tenda general, sem esquecer o elmo dourado, ornado com um penacho penitente e duas hastes, que por sinal lhe ficavam bastante bem, e sentiu o vento quente e árido do deserto de Gobi fustigar-lhe as faces, ornamentadas por uma barba negra e cerrada que começava a encaracolar no fim.
Afagou-a, alisando, e sorriu em antecipação da gloriosa vitoria na batalha que se aproximava. Mostrando os dentes podres e amarelos.
Pousou o elmo no chão e ajoelhou-se para fazer as necessárias orações aos deuses da guerra, jogando areia ao ar, ora para a esquerda, ora para a direita, como se estivesse numa praia da Caparica.
No outro lado do campo de batalha, empoleirado no ramo mais alto de uma árvore seca, envergando apenas uma simples tanga de vermelho vivo com um coração amarelo-torrado estampado na parte da frente, e empunhando uma garrafa de gim, Joselito observava com descuidada indiferença aquela paisagem desolante, notando o exército inimigo acampado ao longe, no cimo de umas dunas.
Sabendo-se atentamente observado pelos seus dedicados e expectantes guerreiros, que lhe admiravam o corpo esquálido e a imponência da sua ossatura, Joselito esticou os bícepes inexistentes e saltou do seu posto de observação, torcendo um pé na queda e partindo os dentes, mas, miraculosamente, conseguindo equilibrar a garrafa sem entornar uma única gota de gim. Levando os soldados em êxtase a soltar gritos de admiração e a ululantes aclamações que se ouviram no campo do exercito antagonista. Elevando a garrafa ao ar, em sinal de triunfo, dirigiu-se para a sua tenda, coxeando, seguido por todo um exército, que rendido a tão grande demonstração de destreza e formidável sacrifício, coxeava também, gritando: “Creio no álcool! Creio no álcool!”.
Joselito, apontando os seus quatro generais de campo, incitou-os a que o acompanhassem, para delinear estratégias, preparando o combate que se aproximava. Eram eles: Bebetudo, que nunca rejeitava carga e não fazia uso interno de águas medicinais, ou qualquer outras; Esgotapipas, que recusava água de toda a gente e era casado em união de facto com uma garrafa de aguardente; Secadegas, que nunca comia uvas e nem consentia que as comessem ou estragassem; e o mais pequeno, mas não menos heróico, Secalambiques, que socorria qualquer pessoa que se encontrasse cambaleando e dando encontrões nas paredes, mas passava a fio de espada, sem quaisquer remorsos, todo aquele que passando frente a uma pipa cheia, não tivesse a necessária atenção para lhe fazer continência.
Com o rosto cor de camarão, o nariz cor de cenoura e em forma de torneira, olhos inflamados e remelados, e uma barba cor de borras de vinho, era nestes quatro valentes, com tantas provas dadas em outras temíveis batalhas, que Joselito, mexicano de raiz, sexualmente hiperactivo, depositava toda a confiança.
Sentando-se os quatro á mesa redonda, em completa comunhão, e num êxtase quase religioso, começaram por rezar o “Creio no álcool a 42 graus, todo poderoso e criador de formidáveis carraspanas…”. Depois, pegando numa cartolina, desenrolando-a sobre a mesa, Joselito começou a desenhar a estratégia. Escrita cuneiforme para os seus acólitos.
Lá fora ecoavam ainda os gritos e as manifestaçõe de jubilo da parte do exercito de pequenos e possuidores de farfalhudos bigodes, mexicanos. Escondidos debaixo de grandes chapéus.
A figura 1 mostra a táctica de guerra de Joselito.
Figura1
Sai uma coluna, depois outra e depois outra. Chegando a meio do campo de batalha, a coluna da esquerda vira á esquerda e a coluna da direita vira á direita ( se não for assim é natural que choquem uns com os outros), correrão em círculos tão depressa quanto puderem e de dez em dez metros, agacham-se e batem as palmas. A terceira coluna, a do meio, mais ou menos a meio do campo de batalha, vira para trás e corre o mais depressa que as pernas o permitirem. Será esta coluna que Joselito, o chefe, comandará.
Kagashica, que entretanto conseguira desenvencilhar-se do enorme monte de areia que juntara sobre si, com a prestimosa ajuda de Seringa, o seu marechal de campo, dirigia-se para o altar dos sacrifícios, gritando ainda com a boca cheia de areia: “Vamos fazer o maior sacrifício que os Deuses já tiveram a honra de receber! Tragam imediatamente dez lamas do Peru, outros dez Lamas do Tibete *, quatro cordeiros, um quilo de limões e uma cebola! Não há tempo a perder, acendam a pira!”.
Milhares de soldados, de armaduras coloridas, imensos carros alegóricos, prostrados em fanática oração.
Se os Homens não se deixassem toldar pela iniquidade, pela crueldade, pela insensatez e neste caso, pelo ciúme, todo o derramamento de sangue que estava prestes a acontecer seria evitado. Se Kagashica não fosse tão empedernido, mais racional em vez da grandessíssima besta belicosa bestunta bexigosa que na realidade era, Joselito, o herói mexicano, estaria agora na praia.
Joselito conhecera a Princesa Li, filha do imperador Shingamula, esposa de Kagashica, “O empedernido guerreiro comedor de cavalas”, o ano passado quando ela passeava com o seu numeroso séquito, numa feira em Carcavelos. Li Nhon Nhin, portadora de uma figura singular, possuía uma daquelas belezas orientais que faziam imaginar todas as artes do Kamasutra: rosto oval, olhos grandes e amendoados, estrábica; corpo esguio, bem torneado por uma apertada túnica de seda azul, calçava o quarenta e cinco e tinha uma verruga no nariz. E nessa tarde em Carcavelos apetecia-lhe… algo. E não era Ferrero-Rocher. Era algo que Joselito percebera quando os seus olhares se cruzaram.
Kagashica “O empedernido guerreiro comedor de cavalas”, que no campo de batalha inspirava terror e granjeava glória, cortando centenas de cabeças inimigas, soldado implacável, no aconchego do quarto, na quietude da sua casa e na plácida calma dos seus jardins, preferia a poesia, os seus desenhos de cerejeiras em flor e o teatro Kabuki, que representava vestindo um quimono cor de rosa, andando em passinhos curtos, e fazendo uma voz tão fininha, tão fininha, que os vizinhos num
raio de três quilómetros, ao ouvi-lo fugiam de suas casas em grande alvoroço, pensando tratar-se da sirene dos bombeiros.
Tudo isto adivinhara o mexicano, com o seu particular sexto sentido sexual superdesenvolvido.
Joselito e a filha do Imperador tinham-se tornado imediatamente amantes, fazendo amor durante três dias e três noites, descansando ao terceiro dia conforme as escrituras.
Tinham sido estes os factos que despoletaram a ira e sobrecarregaram a cabeça de Kagashica, empedernido guerreiro, levando-o a convocar todo o seu exercito, deslocando-o ao encontro de Joselito para assim vingar a sua honra. E recuperar o quimono cor de rosa que Li Nhon Nhin lhe roubara.
(continua)
*ver Joselito o supremo prostituto
7 comentários:
"Joselito o masturbador de tartarugas leopardo no Serengeti"
Pode ser o título da próxima crónica do bêbado Joselito.
Grande Joselito!!!!!
Joselito olé olé...! Joselito olé olé...! Vamos arrasar com o Kagashica!!
Vamos promover o Joselito a novo super heroi da Marvel e a estrela de Hollywood! Joselito Power..........
Joselito??? Que vá, hombre!!!Joselito soi yo. Tu eres solamente un tio que lhe gusta caxondeio. Me creio que te hace falta un tornillo, pero esso es igual comigo.
Pero non holvides: Lo de Campanera soi yo. Como yo, nem que te pongas de rodillas.
Pero me gusta tu "musica".
En hora boena, e un saludo.
o álcool, o haxe, a erva, coca, heroína, ou lá aquilo que tomaste estava fora de prazo.
Muito fora de prazo...
Beijos
epah kaga nax feiax i fuma mto max du bom e dix na feia k va aprender a xkrever u nme dax drogx
que linguagem é essa!?
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