quarta-feira, 13 de agosto de 2008

O senhor e a senhora Jones

O SENHOR E A SENHORA JONES, a infância de Joselito

(IV que é na realidade o primeiro)

Caminhava á beira do rio, dando pontapés em todos os seixos(?) que por ali encontrava.

Pensava na melhor maneira de cozer o atum (?) que pescara dez metros abaixo do ponto onde se encontrava nesse preciso momento. É sabido, que voltar sempre ao local onde se pescou, consegue-se cozinhar o peixe mais fresco.

O senhor Jones sabia trinta e duas maneiras de cozinhar um atum do rio(?), a juntar ás trinta e sete da senhora Jones perfazia exactamente sessenta e nove, o que dava um número bastante curioso.

O casal, ficava sempre na expectativa de conseguir comer o mais possível de atum.

A senhora Jones era frigida, mas o marido não tinha nada contra, pois todas as noites, esse defeito da esposa permitia-lhe passar uma noite descansado , e Ter sonhos eróticos com o atum do rio(?).

Todas as pessoas que lidavam de perto com tão estranho casal, para além de terem as feições ovais e os olhos negros, tinham ainda o seu cabelo bastante pastoso, e nessa terriola consumia-se muita graxa para sapatos.

Pensando em todos estes factos, que lhe atrapalhavam em demasia o seu oficio, o pequeno xerife da pequena terriola, que também gostava de dar pequenos passeios junto ao rio, e dar pequenos pontapés nos seixos (?) que por ali encontrava, nesse dia resolveu, quando acordou ainda manhã cedo, tirar um pouco do seu tempo para pensar, e dessa vez seria a sério, para pensar nela.

Fazia-lhe bastante impressão a maneira como a senhora Jones atava o cabelo por cima da nuca (?). E aquele seria o dia em que ele teria obrigatoriamente de cheirá-lo. O xerife tinha por obrigação cheirar o cabelo de todas as mulheres frigidas da terriola, pelo menos duas vezes por semana.

E ele nem tão pouco se importava que as pessoas comessem atum em demasia, mas não aceitava que depois desse acto, não lavassem as mãos e as passassem, continuamente pelo cabelo. Começava a sentir-se até bastante incomodado, porque todas as pequenas crianças, filhas das mulheres frigidas, que consumiam atum do rio(?) começavam também a Ter esse hábito, e ele pensava que não lhes assistia tal direito.

O xerife tinha pretensões a ascender a outros cargos e não seria um mero atum do rio(?) que o iria impedir.

Quando começou a calcorrear os poucos metros de terra batida que separavam o seu gabinete da casa dos Jones, sentiu uma ligeira indisposição intestinal, e teve que voltar atrás. Quando entrou na casa de banho deu-lhe tamanha fome que ficou indeciso entre ir á cozinha e ficar na casa de banho.

Eram costume estas duvidas, e estas súbitas indisposições sempre que tinha de ir cheirar um cabelo de uma mulher frigida.

O xerife era virgem.

Mas não era esse o seu principal defeito. A sua maneira de andar, com a biqueira das botas voltadas para o sitio onde deviam estar os calcanhares, era bastante comentada entre os habitantes da terriola, que de cada vez que passavam por ele, na rua, começavam a andar ao contrário dando constantes piruetas sobre si próprios. Certa vez, até o preto Handsome, que costumava trabalhar na pequena quinta dos Jones, tentara fazer o mesmo e, por esse facto, caíra ao rio e fora comido por um atum(?).

O que trouxe bastantes embaraços aos Jones, que tiveram de arranjar outro engraxador de sapatos, e ao cangalheiro Hitbox, que não estava habituado a não Ter um corpo para enterrar.

Entretanto, a senhora Jones esperava pacientemente pelo xerife. Já estava acostumada a estas demoras sempre que era o dia dos cheiros. Não se importava absolutamente nada com estes hábitos maníacos do xerife, a única coisa que a incomodava era a saliva que o homenzinho costumava deixar no cimo da sua cabeça sempre que inspirava.

A senhora Jones era formada em farmacologia e, sendo de boas maneiras, custara um pouco a acomodar-se a este pequeno defeito do xerife, pois obrigava-a a Ter de aspirar o cabelo constantemente.

Enquanto esperava, perseverantemente, ia lendo uma revista cor-de-rosa, sentada numa cadeira de baloiço no alpendre, e ao mesmo tempo tomava atenção aos dois filhos pequenos, que brincavam no pátio.

Clarabela, a mais velha, que nascera mais ao norte, quando moravam perto do sítio onde o rio era fértil em cação(?), e Joselito, nascido numa excursão de autocarro ao México, eram dois petizes algo mexidos, e as brincadeira do filho mais novo começavam a ser um tanto preocupantes em relação á irmã mais velha.

A sua brincadeira preferida era pôr uma garrafa de Coca-Cola a rodar em cima de uma mesa, e quando parasse, a pessoa para onde o gargalo estivesse a apontar teria de despir uma peça de roupa.

Nem ela se atrevera nessas brincadeiras com o senhor Jones.

Mas o mais grave era que o gargalo ficava a apontar constantemente para a irmã.

E para a senhora Jones tais brincadeiras assumiam proporções escandalosas, na medida em que o sexo de Joselito estava a crescer demasiado em relação ao seu corpo.

Estava até a pensar em não fazer braguilha nos calções do filho, pois pensava que a pressão impediria o sexo de crescer.

Olhando para a estrada avistou os calcanhares do xerife dirigindo-se na direcção da casa.

Poisou o livro, que não lhe interessava minimamente, pois a senhora Jones preferia ler revistas financeiras, e começou a preparar-se, mentalmente, para a sessão de cheiros que se iria seguir.

Era costume a sessão não demorar muito tempo, mas ela lembrava-se da ultima, e não conseguia conter os suspiros.

Quando o xerife se encontrava perto da casa viu as duas crianças a brincar. Nesse momento, Clarabela só já tinha as cuequinhas e a garrafa continuava a rodar, enquanto o pequeno, de que o xerife tinha dificuldade em lembrar-se do nome, urrava e agitava os braços de alegria.

Pensou que eram bastante estranhas aquelas brincadeiras e bastante estranhos aqueles miúdos. Mas como não lhe diziam respeito, e ele já tinha demasiados problemas para resolver, achou melhor não se intrometer.

Para além dos cheiros de atum que teria de fazer ainda nessa manhã, o xerife encontrava-se bastante preocupado com o desaparecimento das ferraduras da casa do ferreiro Espetodepau.

Encostou-se ao alpendre a descansar, olhando com os seus olhinhos de marrã morta para a senhora Jones, quando sentiu os joelhos molhados. Joselito, em ar de provocação, do meio da rua, urinara-lhe para cima.

O xerife puxou do revólver que trazia á cintura e começou a dirigir-se na direcção da criança. Não admitia tal ultraje, vindo do filho de pessoas que sabiam sessenta e nove maneiras de cozinhar um atum do rio(?). Mas, quando se preparava para puxar do gatilho, sentiu o estrondo e um impacto no peito. Começava a escorrer do coração um fiozito de sangue: “Será a isto que se chama perder a virgindade?”, pensou, antes de tombar morto.

Joselito soprava o fumo que saía do cano do revólver que acabara de disparar. Fora mais rápido, como sempre.

A mãe foi a primeira a aperceber-se do sarilho em que o seu mais que tudo se metera. Mas Josélito só teve essa noção quando a sua mãe gritou e começou a correr na sua direcção, com a colher de pau nas mãos.

Ele, Joselito, não iria admitir que, na ausência do pai, qualquer pessoa, mesmo o xerife, por quem não tinha grande apreço, nem sequer se lembrava do nome do sujeito, não seria a ele que Joselito admitiria cheiros no cabelo de sua mãe.

Entretanto a senhora Jones, poisando a colher de pau, começou a pensar na melhor maneira de livrar o rebento de tal sarilho, e a primeira coisa a fazer seria ver-se livre do corpo.

Talvez se o deitasse ao rio, os atuns(?) o comessem.

Mas os atuns do rio(?) não gostavam muito de xerife, e se não o comessem, haveria sempre o perigo da decomposição do corpo, e a poluição das águas poderia alterar o sabor dos atuns. E se isso viesse a acontecer, para alem da catástrofe ambiental, poderia provocar desarranjos intestinais nos habitantes da pequena aldeola.

Então lembrou-se do seu marido.

O senhor Jones gostava de carne de xerife, e se o atassem na chaminé, conservando o corpo no fumeiro, poderia todos os dias dar-lhe um naco de carne ás refeições. E assim, para alem de poupar algum dinheiro no talho, manteria satisfeito o marido que começava a fartar-se de atum do rio(?) todos os dias.

Tinha um problema resolvido. Mas continuava com o mais complicado por resolver. Joselito não poderia andar a matar, constantemente, xerifes que viessem , na ausência do marido, cheirar o cabelo da mãe.

De repente, outro problema de difícil resolução lhe veio á ideia: a matemática. Que fazer dos professores de matemática? E que fazer dos professores de matemática que não gostavam de atum do rio(?)?

Foi nesse instante que Joselito notou a preocupação que varria o rosto de sua mãe. E disparou novamente o revólver na sua direcção.

A senhora Jones sentiu o estrondo do revólver e um impacto no peito. Começava a escorrer um fiozito de sangue do coração. “Será a isto que se chama deixar de ser frigida?”, pensou, antes de tombar morta.

Josélito soprou o fumo que saía do cano de revólver e então teve a noção do acto que praticara: era um pleno matricida.

Mas ele, Joselito, não admitiria que na ausência do pai, a sua mãe se preocupasse com o desaparecimento do corpo de um xerife de terriola que não gostava de atum do rio(?) e, muito menos com professores de matemática, que também não gostavam de atum do rio(?).

Mas não poderia andar constantemente a matar pessoas.

Foi quando reparou na sua irmã, Clarabela, que se encontrava olhando para ele, com uma expressão nos olhos, pedindo que viesse terminar o jogo que estavam fazendo na altura da chegada do xerife.

“Esta não é uma pessoa.”, pensou Joselito antes de apertar o gatilho e disparar o revólver na sua direcção.

Clarabela ouviu o estrondo do revolver e sentiu um impacto no peito. Um fiozito de sangue escorria do coração. “Era para isto que ele me queria ver nua?”, pensou, antes de tombar morta.

Josélito não iria admitir que na ausência do pai, a sua irmã, não se preocupasse, minimamente, com o envolvimento da mãe com um xerife de terriola e com professores de matemática que não gostavam de atum do rio(?), e os seus pensamentos fossem unicamente para jogos pueris.

Dirigiu-se então a casa do ferreiro Espetodepau, que se encontrava na altura bastante chateado com o desaparecimento das ferraduras, e que vendo Joselito vindo na sua direcção, se começou a dirigir para ele para, como fazia todos os dias, lhe pegar ao colo e lhe dar dois beijos, pouco inocentes, nas bochechas rosadas.

Foi então que o ferreiro ouviu o estrondo de um revolver e sentiu um impacto no peito. Escorria um fiozito de sangue do coração. “Este miúdo está sempre com estas brincadeiras. Quando é que ele cresce?”, pensou, antes de tombar morto.

Joselito não iria admitir que, na ausência do pai, o ferreiro Espetodepau soubesse do envolvimento da sua mãe com o xerife e com os professores de matemática que não gostavam de atum do rio(?), e que, para alem disso, andasse a comentar os seus jogos pueris com a sua irmã mais velha.

Foi quando reparou na cara de contentamento do cangalheiro Hitbox, que o seguia há bastante tempo.

Hitbox ria-se para Joselito, cada vez que este olhava para trás, e começava a pensar, seriamente, na adopção da criança, quando ouviu o estrondo de um revolver e sentiu um impacto no peito. Escorria um fiozito de sangue do coração. “Onde irei arranjar tanta madeira para fazer caixões?”, pensou antes de tombar morto.

Joselito não iria admitir que um hipócrita cangalheiro que na ausência do pai queria, não só enterrar a sua mãe juntamente com um xerife de terriola e uns professores de matemática que não gostavam de atum do rio(?), como enterrar também o ferreiro Espetodepau na mesma campa de sua irmã, mesmo depois de este Ter andado a comentar os seus jogos pueris.

Mas começava a fartar-se de tanta morte. Joselito não poderia andar constantemente a matar pessoas.

Alguém se dirigia na sua direcção.

O primeiro pensamento da criança foi correr para ele e lançar-se no seu colo, quando, estando mais perto, conseguiu destinguir a figura do pai amado. Este que passeava nas margens do rio dando pontapés em todos os seixos (?) que por lá encontrava, e que ouvira as tiros, apressara a encaminhar-se para casa. Quando avistou o filho, deu um grande suspiro de alivio, e descansou.

Foi quando ouviu o estrondo de um revólver e sentiu o impacto no peito. Escorria um fiozito de sangue do coração: “Andei toda a manhã com uma ligeira impressão nos cantos da testa!”, pensou antes de tombar morto.

Joselito soprava o fumo que saía do cano do revólver

Ele nunca iria admitir que o pai não se importasse com o envolvimento da mãe com o xerife da terriola e com os professores de matemática que não gostam de atum do rio(?). e que nunca tivesse proibido os jogos que ele e a irmã praticavam, puerilmente. Até os incentivava, aliás. E também nunca quisesse saber que o ferreiro Espetodepau lhe pegasse ao colo e lhe desse beijos, pouco inocentes, e de um cangalheiro Hitbox que queria enterrar toda a gente, mas que não tinha madeira suficiente para fazer os caixões e andava a pensar construi-los com fibra de carbono, inflacionando assim o seu preço.

Mas agora tudo estava terminado.

Joselito já poderia seguir a sua infância com normalidade e sem qualquer preocupação que viesse a impedir o seu natural desenvolvimento pessoal.

Foi quando avistou do outro lado da rua uma porta com uma luz vermelha por cima. E um letreiro que dizia em luzes néon: “LEITO DO MELAÇO”. Entrou.

Cinquenta e quatro raparigas, de todas as raças e credos, umas feias outras bonitas, encontravam-se sentadas numa sala pouco espaçosa. Como que esperando por ele.

Fez amor com todas elas durante três dias e três noites. E depois gargarejou com água da torneira, ao fim do terceiro dia como mandam as escrituras.

Saiu, no seu andar calmo, fechando a porta atrás das costas, deixando uma casa com cinquenta e cinco pessoas completamente exaustas, mas satisfeitas.

E sumiu-se no fio do horizonte.

Assim nasceu a lenda.

2 comentários:

Anónimo disse...

Só engravidou uma, com tantas fodas?

Anónimo disse...

tá "cool"!!